
Foi uma luta.
Foi duro.
Foi estressante.
Foi cansativo.
Mas... valeu MUITO a pena.
A verdade é que em julho de 2010, comecei a juntar dinheiro em um cofre. Um cofre, digamos, uma lata de Nescau com um desenho do Pica Pau que alguém fez de "lembrancinha" de uma festa infantil que minha mãe foi e trouxe-o pra casa.
Mas isso não importa. Eu comecei a juntar. E juntava mais e mais. Nunca havia juntado dinheiro assim. Só que eu juntava e não sabia como ia gastar. Tinha um sonho de ter um tênis da Adidas, mas isso não vem ao caso agora.
Até que em Outubro ou Novembro, agora não me lembro bem, surgiram os boatos de que Amy Winehouse viria ao Brasil. A data, ao certo, não se sabia. Falava-se em Março ou Janeiro, como ocorrido, enfim. E aí, tudo foi se juntando. Com o que gastar "aquela grana" do cofre, que até então, não tinha razão por ter sido formada? Com ela. Sim, com Amy Winehouse.
Estava decidido. Eu ia pra'quele show de qualquer forma. Ela viria fazer uma apresentação em Recife, cinco horas de viagem, por qual razão eu não iria? É a Amy Winehouse, cara. Aquela que eu comecei a ouvir por causa do Momento Pânico, a quem serei eternamente grato; aquela que eu comprei o DVD e fiquei por dois (ou três?) meses SEGUIDOS vendo e cantando TODO DIA. É aquela que canta "no, no, no". É aquela que é, simplesmente, demais pra mim. Claro que eu iria, porque não?!
O duro era convencer a matriarca. E foi duro, viu? Foram dias de insistência.
"Eu vou sim"
- "Você não vai de jeito nenhum"
"Não adianta, eu vou".
Ah, isso aí? É pouco diante do que ouvi do dia em que disse que ia, do dia em que ela soube que a Amy estaria mesmo vindo ao Brasil para fazer suas apresentações... Enfim. Só mudou quando eu disse: eu vou acompanhado. Mudou um pouco. Um conselho daqui, outro dali, eu agradecendo às pessoas que o fizeram e até que ela, finalmente, cedeu!
Eu estava livre para ir ao show da Amy Winehouse. Eu podia ir!!! A felicidade habitava em meu ser. Brega? Não, realidade. FELICIDADE. Com um mês de antecedência, os ingressos foram comprados. Sim, eu iria para o show da Amy com a Laís e a irmã dela, Aline. Tava tudo cooperando para dar certo. Tudo! E deu!
É chegado o dia!!! Ansiedade toma conta do meu ser!
"Meu Deus, obrigado. Eu vou realizar um sonho!"
E lá vamos nós. Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011, 12h25. Saímos de Maceió para Recife numa viagem cansativa, porém divertida. Tiramos fotos, tomamos vinho, refrigerante, jogamos adedonha e até mesmo o UNO não poderia ficar de fora. Sim, jogamos UNO em pleno ônibus. E lá estávamos nós, rumo ao show que marcaria as nossas vidas. Ou pelo menos a MINHA... Bom, depois de quase 5h30 no ônibus, chegamos.
O local é grande. Não se compara ao daqui. Ao lado, um parque. Mirabilândia. Do outro, a verdadeira diversão para nós. Eu não conseguia acreditar que, daqui a 6 horas, estaria "frente a frente" com Amy Winehouse. Era, simplesmente, incrível. Não havia mais o pensamento de "será que ela vem mesmo?". O que havia era: Sim, eu vou vê-la de perto. Quer dizer, não tanto de perto.
Horas depois, portões abertos, fomos pra grade. Distância considerável dali para o palco. Mas eu estava ali. O primeiro show da minha vida começaria com meia hora de atraso: às 21h34, entrava no palco Mayer Hawthorne! Com um show dançante de 50 minutos, direto, sem parar, ele contagiou todo mundo que tava ali. Inclusive eu, que nem o conhecia. Achei ótimo. Claro que dancei. Do jeito que deu, né, tava apertado. Mas tava bom. Foi bom.
Perto das 23h, foi a vez da segunda apresentação da noite: Janelle Monáe. Eu não digo que gostei ou que não gostei, foi um show legal. A primeira música, inclusive, contagiante como os 50 minutos do show do Mayer. Ainda deu pra dançar. Pouco tempo depois, deu aquela vontade de ir ao banheiro. Mas tava L-O-T-A-D-O, como sair? E como voltar? Não importa, eu fui. Lembro como se fosse agora a mensagem que, no maior apertado, escrevi no celular e mostrei pra Aline: Vou ao banheiro agora e seja o que Deus quiser. Ela sorriu e disse 'ok'. E eu fui.
Estava morto de cansaço. Queria, mais do que nunca, que tudo acabasse. Será que eu ia desistir de tudo? Claro que não, faltava tão pouco... E assim foi. Enquanto o show da Janelle rolava, eu procurava algum lugar pra "me acomodar" (leia-se: minha coluna! A verdade é que eu tinha uma coluna antes de ir ao show, mas ela ficou lá em todo o tempo em que fiquei de pé, seja esperando ou curtindo as músicas). Enfim, perto das 00h, Janelle encerra sua apresentação e é chegada a hora. Mais uma vez, tocavam aquelas músicas - naquele momento 'chatas' - que tinham função de 'sala de espera'.
E eu tava no meio da multidão. No meio literalmente, já que não conseguia voltar para onde Laís e Aline estavam. Não tinha como. 00h05 e as luzes se apagam. A galera "se engana" e bate palmas alucinadas por ela. Mas, ainda não era a hora. As luzes acendem e a música toca novamente. 00h15 e aí, mais uma vez, as luzes se apagam e todo mundo, outra vez, bate palmas clamando por ela. E nada. Silêncio no ar.
Eis que é chegada a hora que todo mundo ali esperava. Todas aquelas, sei lá, 10, 12 mil pessoas que ali estavam... Por volta de 0h20, ela entra no palco. Com um vestido amarelo, justíssimo por sinal, Amy Winehouse aparece correndo, feliz da vida, para alegria da galera. E abre o show com "Just Friends", acompanhado dos gritos do público. E meus gritos, inclusive. Agora não tinha pra onde. Eu tava "de frente" pra ela. Parece que era eu e ela, ela cantava, eu respondia cantando. Ou melhor, gritando. Esqueci que tinha uma multidão ao meu lado. Eu gritava, cantava, sorria. Era um sonho realizado. E QUE SONHO!
Como você ficaria se o primeiro show de sua vida fosse, justamente, de uma pessoa da qual você nunca imaginasse que poderia ver tão de perto, como assim aconteceu na última quinta-feira comigo, no caso? E se essa pessoa fosse, justamente, a Amy Winehouse? Pra qualquer outra pessoa que venha a ler isso, pode ser "a maior merda", mas não tô nem aí. Pra mim foi a realização de um sonho que parecia ser IMPOSSÍVEL.
Imagine a realização de um dos seus maiores sonhos? Imaginou? Pronto. Foi a mesma sensação que tive ao estar ali, naquele pavilhão do Centro de Convenções de Recife, que de tão grande às 20h15, ficou pequeno quatro horas depois ao estremecer com as músicas do fenômeno Winehouse. Ou melhor, não foi a mesma sensação, não poderia ser. O que eu sentia naquele momento era algo ÚNICO. Algo que eu teria que aproveitar cada segundo, minuto...
O que foi aquele coral, FANTÁSTICO, em Rehab e Back To Black? O Centro de Convenções, lotado, se uniu em uma só voz para cantar detalhadamente... E eu no meio daquilo tudo, caraaaaaamba, eu tava lá!!! A cada música, era uma sensação diferente. Caraca, eu sabia todas. Ou melhor, quase todas. Em duas músicas eu fiquei... enrolando. Gritando, melhor dizendo. E daí que ela não fosse ouvir e nem ao menos me ver? Eu tava ali e isso é o que importava.
Amy saiu e voltou, saiu e voltou... E a cada volta, uma surpresa.
"Valerie, Valerie, vai, toca Valerie agora"
E o que foi que ela tocou? Valerie! Como assim, que sintonia, não? A batida começa e a galera vai ao delírio, como foi com cada som tocado. E o show ia rolando, gente, já tinha mais de 1h de apresentação e lá estava Amy. Feliz, ela saltitava no palco, abraçava Zalon, ia de um lado para o outro, bebericava algo em uma xícara (?) branca substituida pela garrafa d'água, que inclusive, foi confundida em um dos shows com seu microfone, até que no auge da felicidade, ensaiou uns passinhos de bailarina e escorregou. As pessoas, ali, vibraram com aquilo. Foi tão rápido que quase não deu pra perceber, já que ela se levantou - aos risos - e seguiu o show como se nada tivesse acontecido - diferente da queda em Wake Up Alone no Rock In Rio de 2008, que foi triste. Aquela sim foi triste, a situação dela inclusive, era muito triste na época. Quem quiser ver, joga no youtube e vai entender o que eu digo - e essa não, foi alegre, algo do tipo "eita, escorreguei! Ups! (e ri de si mesmo)".
Isso aí foi só um detalhe. O show continuava perfeito. Queda? Que nada, foi pouco para quem teve o prazer de, em seu primeiro show, acompanhar a maior apresentação já feita pela cantora no tempo em que ficou no Brasil. Foi isso. Dentre outras músicas, quando ela cantou 'You Wondering Now' eu fui ao céu e voltei. Pulava loucamente com o som, nunca imaginei que ela pudesse cantar essa música no BIS! E cantou. Todo mundo acompanhava como podia, foi demaisssssss! Até que ela vem com 'Love is a Losing Game', se emociona outra vez e, infelizmente, encerra aquela apresentação memorável acompanhada de várias manifestações de aplausos e gritos daquela multidão. E meus também. Gritei tanto que a garganta tá doendo até hoje, dois dias depois.
Não tenho palavras para descrever a minha felicidade em ter vivido esse momento. Foi tudo do jeito que eu já esperava. Ela errou e esqueceu letra, distraiu a galera, enrolou em várias músicas, mas... não importa. Foi a primeira vez em que fui a um show e começar assim, com Amy Winehouse, realmente, me deixou completamente emocionado. Foi a realização de um sonho pra mim. E a comprovação segura de que, se você tem um sonho, um dia eles podem se tornar realidade. Agora eu acredito nisso.
E que venha o próximo!!!!
Amy, volta logo, pôxa, quero te curtir muitas vezes mais!!! \o/