quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Rio Novo, História Velha. E repetida.

Foto: Créditos / Reprodução - Arquivo Pessoal
Funcionários da São Francisco em luto; mais um motorista da empresa é assassinado em Maceió

Imagine você, cidadão maceioense, sair para trabalhar como sempre costuma fazer diariamente. E que depois de um dia inteiro de atividades, quando está prestes a voltar à sua casa, acontece algo para mudar a rotina do seu dia. Um assalto. Os bandidos levam seus pertences, sua coragem e sua honra, deixando-o destruído, sem forças e coragem. Fogem, como quem não quer nada, debochando por ter conseguido realizar mais um ato de covardia.

Mas você precisa se reerguer. E precisa voltar à ativa, afinal de contas, tem uma família para sustentar, filhos, que precisam de você, de seu amor, carinho e proteção. Portanto, mesmo depois de um acontecimento, digamos, traumático em sua vida, você se levanta, toma banho, almoça e decide, sim, ir trabalhar, tentando fingir como se nada tivesse acontecido no dia anterior.

Por sorte, enquanto está se deslocando para o trabalho, você tem a oportunidade de pegar uma carona - seus amigos, que também se direcionam ao local, o convidam e, naturalmente, você aceita e durante o caminho, vai contando que foi assaltado na noite anterior. O clima pesa, o silêncio domina o ambiente, mas logo em seguida, alguém faz uma piada e todos começam a dar risada. Mas os poucos segundos de diversão, paz e tranquilidade registrados naquele instante após o ouvir da piada contada por um dos amigos, se quebram quando uma frase é anunciada: Isso é um assalto.

De repente, o ocorrido de ontem torna-se a repetir. No mesmo local, porém mais cedo, mais claro. Um novo assalto, ou então, mais um para o seu curriculum, só que dessa vez, além de você, os bandidos resolvem atacar todos os seus companheiros de trabalho presentes no local. Não há mais horário para violência em Maceió. Sim, estamos falando do caso ocorrido na tarde da última quinta-feira, dia 29 de novembro, quando a cidade presenciou mais um ato de violência contra a classe rodoviária.

O motorista Josecler dos Santos Galvão, 45 anos, foi assassinado após reagir a um assalto nas proximidades da Mafrial, no bairro do Rio Novo, quando se dirigia para mais uma tarde de trabalho. Ele era funcionário da empresa São Francisco e costumava fazer a linha 057 - Rio Novo / Centro / Via Farol e, na noite anterior, já tinha sido assaltado enquanto trabalhava na linha 715 - Rio Novo / Ponta Verde / Via Shopping. Ambos os carros estavam fazendo um percurso diferenciado há cerca de 9 meses, quando ao invés de descerem a "conhecida ladeira de Fernão Velho", estavam indo pela BR-316, descendo pela Ladeira do Catolé, passando pela Mafrial para, enfim, conseguir chegar ao bairro por conta de uma obra da Casal, que bloqueou o percurso que liga Fernão Velho à Rio Novo.

Foto: Créditos / Reprodução - Arquivo Pessoal
Na tarde da última quinta, 29, rodoviários da empresa São Francisco pararam as atividades em protesto pela morte de Josecler.

O crime revoltou a categoria que, no mesmo dia, resolveu protestar contra a violência na cidade. Protestos foram realizados na Avenida Durval de Góes Monteiro, no Tabuleiro dos Martins, e no Terminal Integrado do Colina dos Eucalíptos - onde vários coletivos da empresa São Francisco pararam suas atividades por cerca de uma hora e meia. A população era obrigada a descer dos ônibus e demonstrou revolta. Com os ânimos mais calmos, porém, alguns conseguiam passar apoio, mas torcendo para que a forma de protesto dos mesmos não pudessem mais prejudicá-los.

Mas, para quem não sabe, esse não foi o primeiro ato violento contra algum rodoviário da empresa São Francisco e que opera na linha Rio Novo. No mês de setembro, uma discussão entre um motorista e um passageiro terminou em morte - do rodoviário. Segundo informações, o crime, realizado no terminal do bairro, ocorreu enquanto o motorista se preparava para sair viagem rumo à Ponta Verde. Na semana seguinte, outro coletivo da linha (dessa vez, via Centro) foi atacado por bandidos no conjunto Medeiros Neto e a suspeita era de que o algoz teria se confundido ao matar a vítima anterior. Os criminosos ainda não foram presos. As famílias, por sua vez, sofrem com a perda dos parentes.

O caso mais recente, de Josecler, teve um encerramento trágico e, ao mesmo tempo, emocionante. Enterrado na manhã do último sábado, 1, o motorista foi homenageado com discursos de alguns colegas de farda, além de uma salva de palmas para aquele que era amigo de todo mundo e, segundo seus amigos, será sempre lembrado com carinho e alegria por todos. Vai com Deus, Pipoca.

Em tempo
A empresa São Francisco lidera, mais uma vez, o ranking de assaltos à ônibus na cidade. De janeiro até o dia 29 de novembro, 214 coletivos foram alvo de bandidos e só a linha mais assaltada do grupo, a linha mais assaltada, Ufal / Ponta Verde / Via Iguatemi, contabilizava 48. Mas, do dia 29 até hoje, o número já subiu. Informações preliminares dão conta de que já são mais de 220 coletivos e que, inclusive, no dia em que Josecler foi assassinado, um ônibus da empresa foi assaltado. Sem contar que, na noite do sábado, nas proximidades do Santos Dumont, um assalto ao coletivo da linha 711 foi registrado por cobrador e motorista na Central de Polícia.

Dados da violência
Os números assustam mais após o relatório da PM apontar que, em 11 meses, cerca de 500 assaltos à coletivos foram registrados na cidade e quase a metade do número está sob a empresa São Francisco. Ainda segundo o mesmo relatório, o horário de preferência dos bandidos varia entre 19h e 22h, nos bairros do Clima Bom (próximo à Praça Padre Cícero e/ou ao terminal do conjunto) e Jacintinho (no trecho entre a Rádio 96fm e a TV Alagoas). Além disso, os bandidos estão de olho naquelas linhas em que o percurso é maior, visto que a concentração de dinheiro durante o percurso aumenta de acordo com a quantidade de pagantes.

Foto: Créditos / Reprodução - Marcos Lisboa (Ônibus Brasil)
A linha 711 - Ufal / Ponta Verde, da empresa São Francisco, ocupa o 1º lugar na lista dos ônibus mais assaltados de Maceió.

Quando o bicho pega, sai de baixo.

Foto: Créditos / Reprodução - Alagoas 24 Horas

A imagem acima retrata uma realidade muito vista por todos, quase que diariamente, naquela que é considerada como a cidade mais violenta do país. Mesmo com os investimentos feitos pelo governo do Estado, a cidade de Maceió, recentemente eleita como a mais bonita em uma votação realizada pelo portal iG, ainda ostenta altos índices de violência e luta contra a mesma a fim de poder erradicá-la.

Como todos sabem, existem alguns bairros de Maceió em que não existe melhoria quando o assunto é violência. O Vergel do Lago, tido como "pacificado", é um deles em que acontecimentos graves, de vez em quando, viram manchetes nas páginas e programas policiais das TVs. O outro, situado na parte alta da cidade, é o conjunto Gama Lins - do qual foi tirada essa fotografia, se não me engano, em 2007 ou 2009, em que populares aparecem observando mais uma ocorrência no local.

Recentemente, o bairro voltou a figurar no espaço já citado, com dois crimes e ambos com requintes de crueldade. No primeiro deles, após o assassinato, a vítima - já sem vida - foi golpeada a pedradas. O crime ocorreu em plena manhã, mais precisamente, às 10h e polícia e perícia estiveram no local, como de costume, mas ninguém foi encontrado para prestar algum depoimento. O segundo, a vítima teve os olhos arrancados e foi arrastada para as proximidades do campus da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), na madrugada do último sábado.

A limpa é feita, o crime ocorre e, quem limpou, assiste a tudo, discretamente e, se puder, ainda escolhe uma vassoura para a faxina geral. Não conheço o bairro, praticamente não sei aonde se localiza e até posso estar receoso em publicar tal comentário por aqui, por isso, encerro dizendo que, timidamente, ao conversar com alguns - poucos - residentes do conjunto, que eu conheço, os comentários até são "assustadores". Ou, quem sabe até, "realistas demais" - já que confirmam a imagem que a maioria deve possuir daquela localidade. 

Portanto, encerro por aqui, com uma frase de um morador que se dispôs a colaborar com esse comentário, ao dizer: aqui tem gente de bem. Mas, também, quando o bicho pega, sai de baixo. Se ele falou, tá falado.

domingo, 23 de setembro de 2012

Porque me chamo assim: Bebedouro

Conheça um pouco mais da história de um dos bairros mais tradicionais de Maceió

Antes, uma sequência de sítios aonde moravam muitas famílias. Agora, um dos bairros mais tradicionais de Maceió que, infelizmente, não conseguiu acompanhar o ritmo de crescimento acelerado da cidade. Bebedouro era apenas um riacho. Ou melhor, era apenas um local aonde tropeiros e viajantes aproveitavam para descansar após os longos trajetos, tomar água, banho, além de banhar aos seus animais.

A origem do bairro vem justamente daí. De uma região que antigamente era, por inteiro, chamada de Mutange (que hoje vem antes do nosso ponto de conversa), um bebedouro era o responsável por matar a sede, tanto dos viajantes que apareciam na cidade, quanto das pessoas que moravam nas redondezas.

Sendo considerado o único caminho de ligação entre Maceió e o interior, as pessoas e os animais que por lá transitavam paravam entre os riachos do Silva e riacho do Peru, que se juntavam à ponte da estrada de ferro. Foi então que o lugar passou a ser conhecido como “ponte (ou passagem) de Bebedouro” e é assim até hoje.



O porto de Bebedouro, que deu nome ao bairro, aonde os viajantes aproveitavam para descansar


Tradicionalismo
A história de Bebedouro tem a marca da família Nunes Leite. Mais precisamente do comendador Jacinto José Nunes Leite, um ilustre cidadão português, que colaborou com a fundação do bairro e se fixou na região, vindo a colaborar, mais tarde, com o seu desenvolvimento.

Dentre as várias conquistas do comendador, uma delas foi a concessão para a construção do serviço de água canalizada. Foi no dia 23 de outubro de 1885 que Jacinto inaugurou a primeira etapa das obras, o que viria a conclamar Mutange e Bebedouro como os dois primeiros bairros a se beneficiarem com água encanada.

Mas a trajetória de Jacinto José Nunes Leite foi marcada, também, pelo comércio. Ou melhor, pelo sucesso comercial. O comendador chegou a implantar, em Bebedouro, o engenho de açúcar, cujo progresso foi se dando aos poucos até se tornar um espaço urbano preferido pela burguesia entre o século XIX e início do século XX.

Além disso, Jacinto comandou a Fundação Alagoana, em Jaraguá e a fábrica de vidros Leite & Leite, em parceria com seu irmão, entre os anos de 1920 e 1928. A família, por sua vez, faz questão de manter o “Solar Nunes Leite”, situado ao lado da Praça Lucena Maranhão, a principal de Bebedouro, que também cede espaço à tradicional Paróquia do bairro.


Visão do tradicional Solar Nunes Leite, da família do comendador Jacinto, ilustre cidadão português, que colaborou com o desenvolvimento da comunidade bebedourense

Antes e depois
Em seus tempos áureos, Bebedouro foi, inicialmente, considerado como um “bairro nobre” da cidade. Mas isso foi mudando com o passar dos anos, quando o bairro foi dando lugar às camadas mais pobres, não só da cidade, como também do Estado. As pessoas começaram a vir do interior para morar em Bebedouro, construindo casas humildes que foram, aos poucos, descaracterizando a “nobreza” bebedourense.

Foi a partir daí que Bebedouro passou a ser um bairro com explícitas características populares, apresentando forte crescimento comercial. Ao transitar por sua avenida principal, Major Cícero de Goes Monteiro, nota-se a presença de açougues, supermercados, padarias, de pessoas que vendiam (e ainda vendem) suas mercadorias nos cantos das calçadas (frutas e verduras, por exemplo), lanchonetes e dentre outros estabelecimentos que proporcionam aos moradores uma praticidade que antes não existia.

Aos poucos, também, foram surgindo os meios de transporte. Por uma iniciativa do comendador Jacinto José Nunes Leite, surgiu a Companhia Alagoana de Trilhos Urbanos (CATU) que, primeiramente, utillizava bondes à tração animal. Porém, como o local era de difícil acesso, os bondes não conseguiam transitar por algumas ruas, tanto em Bebedouro, quanto no Cambona, o que provocou uma interessante mudança no sistema.


Bondes passam a ser eletrificados, quando a energia elétrica ainda era novidade em Bebedouro

Os bondes, então, foram eletrificados, numa época em que a energia elétrica ainda não havia chegado por inteiro ao bairro, fazendo com que a população pudesse se mobilizar de uma forma mais prática, visto que eles faziam percursos entre os bairros do Farol, Ponta da Terra e Jaraguá, além de passar pelo Comércio, cujo terminal se localizava na Praça dos Martírios.

As viagens tinham fluxo maior devido ao grande movimento, o que mostrava o aparente crescimento da população de Bebedouro. Trens, ônibus e, mais recentemente, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que atende a cerca de 6 mil passageiros por dia, são outros meios de transporte utilizados pelos moradores do bairro.

Outra curiosidade é que o bairro, por sua vez, já “abrigou” outras localidades adjacentes. Anteriormente, as Chãs da Jaqueira e de Bebedouro, Mutange e Bom Parto eram uma localidade só. Mas devido ao crescimento populacional de todos os bairros citados, hoje, Bebedouro abriga apenas a Chã como conjunto. Vale ressaltar ainda a bela vista da Lagoa Mundaú, proporcionada por quem passa de ônibus pelo Mirante da Chã de Bebedouro. A praça do local, assim como muitas outras espalhadas por Maceió, está abandonada, mas ainda serve como ponto de encontro dos moradores em qualquer hora do dia.


Fim de tarde no Mirante da Chã de Bebedouro; vista proporcionada pela localização é uma das mais belas de Maceió

Educação também é destaque
Outro ponto que não se deve deixar passar em branco ao falarmos de Bebedouro é a trajetória do tradidional Colégio Bom Conselho. Surgido no bairro em 13 de junho de 1877, a instituição – que já foi um internato – não é a mesma dos tempos áureos, quando chegou a servir de abrigo para órfãs dos militares que participaram da Guerra do Paraguai ou aos menores desvalidos.

Mas a intenção do Dr. Antônio Passos de Miranda, então governador da província, era melhorar a administração do Colégio e, com isso, autorizou o funcionamento de uma sociedade beneficiente, que viria a ser dirigida pelas senhoras da sociedade, que iriam ministrar o ensino das primeiras letras e prendas domésticas. E assim foi até o ano de 1938, quando o Governo de Alagoas transformou a instituição em uma Escola Normal Rural Nossa Senhora do Bom Conselho.



O tradicional Colégio Bom Conselho, nos anos 20, totalmente diferente da visão dos dias atuais

Mais tarde, em 1964, o Bom Conselho passa por mais uma transformação, ganhando o curso Pedagógico. Hoje, 135 anos depois, o tradicional colégio de Bebedouro sente as dificuldades (seja no ensino ou na estrutura) como os outros do Estado, mas apesar disso, costuma atender às necessidades dos alunos do bairro e costuma ser lembrado, com orgulho, por aqueles que puderam vivenciar as suas “fases de ouro”, como nos anos 70, 80 e 90.


O Colégio Bom Conselho, atualmente, não lembra em nada aos seus tempos de glória. Mas ainda assim, consegue suprir as necessidades educacionais da população do bairro de Bebedouro. Agora, restam apenas as lembranças

Um bairro documentado
Detalhes como esse e outros, inclusive, sobre a tradicional Paróquia de Bebedouro podem ser conferidas na obra do professor José Ribeiro Lemos, de nome “Bebedouro: Comunidade de História e de Fé.”

Escrito em 2003, o livro contempla os 90 anos da criação da tradicional Paróquia bebedourense, além de ressaltar os 50 anos de ordenação sacerdotal do bispo Dom Fernando Iório Rodrigues, relatando diversos fatos marcantes da história do lugar, nas palavras de historiadores e moradores.


A tradicional Paróquia de Bebedouro e seu aniversário de 90 anos foi, em 2003, uma das motivações da escrita do livro "Bebedouro: Comunidade de História e de Fé"

Nas palavras do autor, não foi fácil montar o livro, por conta da ausência de fontes necessárias para o trilhar do caminho escolhido pelos idealizadores, mas apesar de tudo, as pessoas se mostraram contentes com a iniciativa e demonstraram suas memórias por meio de depoimentos fidedignos quanto à história do local, que, com certeza, ainda guarda muitas recordações.

Hoje, como em qualquer outro local da cidade, Bebedouro passa por problemas, seja na infraestrutura, saúde ou transporte. Mas, com toda certeza, o bairro continuará sendo lembrado por todas as glórias e maravilhas das quais passou, com seus moradores guardando o desejo de que, um dia, Bebedouro possa voltar a ser como um dia já foi: um bairro saudoso com forte tradição na alma e na fé.

A empresa São Francisco é responsável pelo transporte coletivo do bairro; a situação não é perfeita, mas a população torce para que um dia possa ser melhor. Ou, então, voltar a ser saudosa como nos tempos antigos de Bebedouro


terça-feira, 6 de março de 2012

"Depois morre e não sabe o porquê..."

Cá estou eu, após mais um dia de grande movimento... Quem diria que uma segunda-feira poderia contar com tantas emoções. Vou resumir o dia a um fato que eu já tinha ouvido falar que, realmente, tinha acontecido dentro de um ônibus, mas - como hoje - eu ainda não tinha presenciado.

Acho que já falei aqui do stress diário que envolve rodoviários e passageiros, por isso, eu não vou levar isso mais adiante. Hoje, em plena tarde, uma senhora resolveu tomar as dores de duas passageiras que estavam dentro do ônibus e estavam perto de descer. Tudo isso pelo simples fato de que, segundo a senhora, "o motorista (ela se direcionava ao cobrador, ao gritar toda a sua fúria no momento) não queria abrir a porta do meio".

Antes, ela já resmungava do assunto, antes de abrir o bocão...

- "Ele tem que abrir sim..."

E depois, quando o cobrador sinalizou para as duas passageiras que a saída era pela porta traseira, ela não se aguentou...

- "Agora há pouco você mesmo abriu a porta aí, e não vai querer abrir agora por quê? É por cara, é? É por cara, é?"

Furioso, o jovem retrucou...

- "Então peça a ele (motorista) pra abrir a porta pra você, peça a ele..."

E o diálogo continuou...

- "Você abriu essa porta agorinha, rapaz, não quer abrir agora por quê? É pela cara?"
- "Então venha aqui pra você descer por aqui, venha", dizia o cobrador, a beira de um ataque de fúria.

E foi daí pra baixo. Eu me lembro que ambos trocaram xingamentos, palavrões - tanto de um lado, quanto do outro - a situação saiu totalmente do controle. Aproveitando, em meio ao tumulto, uma moça conversava com sua amiga e soltou a bomba...

- "(...) E não é a primeira vez que vejo essa velha estressada assim... (pausa) É, já vi umas 3 vezes!", finalizou.

Mas, antes de sair fora do local depois de tocar o terror, a senhora soltou uma frase que marcou durante o dia inteiro.

A porta se abriu, ela ainda esbravejava, soltou a frase e saiu...

- "(...) Agora, depois morre e não sabe o porquê..."

Diante disso - e de todo o silêncio que se instalou dentro do carro durante a discussão, já que os passageiros acompanhavam apenas com alguns olhares entre si - o carro voltou a andar. Motorista e cobrador trocaram algumas palavras e o jovem, mais estressado que nunca, apenas passava o troco aos passageiros que dele precisavam. E foi assim por toda a viagem. Trocamos algumas poucas palavras, pois quando a situação está assim, nesse mar de stress, restam apenas olhares sérios e um silêncio dominador.

Mas uma frase dita por essa senhora que, certamente estava descontrolada, foi o ponto alto do dia. Do momento. Da situação. Tão louca, ela soltou a pérola em meio a um coletivo com mais de 40 pessoas dentro. Então, pessoas, já ficaremos atentos: Se algo acontecer ao jovem, a gente já saberá quem foi. E ele também. Mesmo que não tenha como provar. Mas isso, claro, vamos ficar na torcida de que não aconteça jamais.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O poder de um chiclete

Você não merecia.
Mas o seu parceiro, sim.
Você não me dirigiu uma palavra sequer.
Mas o seu parceiro, sim.

Você está cada vez mais estranho.
E eu sinto cada vez mais aversão por você.
Sua atitude me deixa surpreso.
Ao que parece, você não é da forma que eu esperava que fosse...

E tudo isso por conta de um simples erro na conexão.
Uma pequena grande confusão, causada pelas coisas da vida.
Que passa de você pra mim, num fluxo imperfeito.
Seguido pelo seu penetrante olhar, que não me leva a loucura.
Afinal de contas, você errou ao se adiantar.
E, mesmo sem querer, me faz pensar que houve uma confusão interna de sentimentos.
Uma vez me perguntaram, mas eu neguei.
Mas, diante de seu comportamento em algumas ocasiões, eu não posso deixar de pensar nisso.

Mas eu não quero.
Pois você não merece.
E nem eu mereço algo do tipo.
Aliás, tanto não mereço, quanto não quero.
Ou melhor, não queremos, verdade?

Até porque, ambos sabemos que: se a situação está assim, a culpa é toda sua.
Já diziam que o apressado come cru.
Mas eu posso adaptar, dizendo que, dessa vez, ele nem ao menos comeu.
E pelo visto, deverá ficar com fome.
Assim é melhor.

Mas eu já disse que você não merecia.
Só que o seu parceiro, sim.
As vezes, eu sei que você dá um jeito e leva um ou outro.
Porém, o meu foi eleito o número 1.
E foi algo que me fez saber que dei uma dentro.

Não sou ruim em dizer isso.
Mas, pelos acontecimentos recentes, acho que não dá pra evitar.
Afinal de contas, você não merecia.
Mas o seu parceiro, sim.

Até a próxima.

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